Foto: Reprodução
A Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás) ocupa a posição de segunda maior distribuidora de gás natural do Brasil e é uma das empresas mais relevantes do setor energético do país. A estatal, no entanto, vive uma novela que se arrasta há dois anos e meio, sem definição sobre seu futuro.
Em setembro de 2022, ainda sob o governo de Rui Costa (PT), foi publicada no Diário Oficial do Estado uma licitação para a contratação de serviços técnicos necessários à estruturação de um projeto de desestatização da empresa. Diante da repercussão negativa gerada pela publicação do edital durante o período eleitoral, a licitação foi suspensa menos de 24 horas depois.
Uma semana após o segundo turno das eleições, em novembro de 2022, o edital voltou a ser publicado, desta vez com um novo título. Na nova versão, o termo desestatização foi retirado do título, mas o corpo do texto permaneceu idêntico. A empresa vencedora da licitação, responsável pela elaboração do projeto de privatização da Bahiagás, foi o Genial Consórcio, que recebeu do governo estadual cerca de R$ 4 milhões pela conclusão do serviço.
Em maio de 2023, o Diário Oficial da Bahia publicou a contratação de uma prestadora de serviços para a realização de estudos técnicos necessários à estruturação de projeto e avaliação da Bahiagás, por meio de análise econômico-financeira. O estudo foi solicitado pelo governo de Jerônimo Rodrigues no início do mandato e permitiria a abertura de um eventual processo de privatização da empresa.
Na ocasião, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ângelo Almeida, confirmou ao Bahia Notícias que a decisão sobre uma possível privatização, caso fosse tomada, caberia exclusivamente ao governador Jerônimo Rodrigues.
A Bahiagás é uma empresa muito estratégica para o governo do estado. Isso carece de estudo, já que o governo já fez a solicitação desse levantamento pela própria companhia. Mas sobre uma possível privatização ou uma remodelagem da operação da Bahiagás, essa decisão será tomada pelo governador.
Em outubro do mesmo ano, durante evento de assinatura de contrato para ampliação do fornecimento de gás natural no estado da Bahia, o governador discursou e negou o interesse do governo na privatização da empresa pública.
Quase um ano depois, em fevereiro de 2024, o deputado federal licenciado e secretário da Casa Civil da Bahia, Afonso Florence, voltou a se posicionar sobre o tema e sinalizou ao Bahia Notícias não existir nenhuma discussão sobre privatização na cúpula do governo.
Já em outubro de 2024, em entrevista à Rádio Metrópole, o diretor-presidente da companhia, Luiz Gavazza, indicado por Jerônimo Rodrigues, afirmou que não existe interesse do governo na privatização da Bahiagás, mas não descartou a possibilidade de venda das ações da empresa pertencentes ao Estado.
De 2023, quando os primeiros estudos foram iniciados, até o início de 2026, último ano do atual mandato do petista, pouco mudou em relação à definição sobre o futuro da empresa.
Mesmo com as declarações públicas de representantes do Estado, o contrato com o Genial Consórcio segue em vigor. A informação foi confirmada pelo diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Química, Petroquímica, Plásticos e Afins da Bahia (Sindiquímica), Alfredo Santana Santos Júnior, ao Bahia Notícias.
Segundo ele, a possibilidade de privatização é muito baixa, conforme demonstram as declarações feitas ao longo dos últimos anos pela cúpula do governo estadual petista. No entanto, o dirigente sindical ressalta que a decisão poderia ser tomada exclusivamente pelo governador, sem a necessidade de aprovação da Assembleia Legislativa da Bahia.
O diretor do sindicato também afirmou que o Sindiquímica pretende, neste ano, apoiar o projeto do deputado estadual Hilton Coelho (PSOL), que propõe a revogação da Lei Estadual nº 7.029, de 31 de janeiro de 1997, que autoriza o Poder Executivo a promover a desestatização da empresa.
Em nota enviada ao Bahia Notícias, a Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), responsável pela Bahiagás, afirmou não haver definição sobre a realização ou não da privatização.
Por Bahia Notícias
